Por que o RH está adoecendo no ambiente de trabalho? Pesquisa explica

Por que o RH está adoecendo no ambiente de trabalho? Pesquisa explica

Sobrecarga emocional, pressão constante e falta de apoio colocam a saúde mental dos profissionais de RH no centro do debate corporativo

Nos últimos anos, a pauta da saúde mental ganhou espaço nas empresas, mas um grupo específico tem sentido esse impacto de forma ainda mais intensa: os profissionais de Recursos Humanos. Responsáveis por cuidar das pessoas, sustentar a cultura organizacional e conduzir mudanças estratégicas, esses times vêm enfrentando um nível de pressão que começa a cobrar um preço alto. 

O RH deixou de ser apenas operacional e passou a ocupar uma posição central nas decisões do negócio. Ao mesmo tempo em que se tornou mais estratégico, o volume de responsabilidades aumentou. 

Demandas simultâneas, necessidade de resposta rápida, conflitos internos, cobrança por resultados e expectativas emocionais dos colaboradores recaem diariamente sobre esses profissionais. Esse acúmulo cria um ambiente propício ao esgotamento.

Sobrecarga da equipe intermediária

Dados recentes ajudam a dimensionar o problema. Segundo a pesquisa Recarrega RH & Flash, 78% desses profissionais se sentem sobrecarregados em sua rotina de trabalho, lidando com níveis médios a extremos de pressão. 

O mesmo percentual afirma ter enfrentado alguma questão relacionada à saúde mental no último ano, como ansiedade, exaustão emocional ou desmotivação. Esses números mostram que o adoecimento não é pontual, mas estrutural.

Outro dado que chama atenção é o efeito coletivo desse cenário. Cerca de 63% dos profissionais de RH relatam conhecer colegas que já precisaram se afastar do trabalho por esgotamento profissional. Isso indica que o problema não afeta apenas indivíduos isolados, mas se espalha pelos times, impactando a continuidade dos projetos, o clima organizacional e a própria capacidade do RH de apoiar os demais colaboradores.

Entre os principais fatores que explicam esse adoecimento está a sobrecarga crônica. Muitos profissionais relatam jornadas prolongadas, múltiplos sistemas para gerenciar, falta de recursos e necessidade de estar disponível o tempo todo. Além disso, o RH costuma atuar como mediador de conflitos, fazendo um papel intermediário entre a gestão e os demais colaboradores.

E quem cuida do RH?

Há também um paradoxo importante. Enquanto o RH lidera iniciativas de bem-estar, diversidade e engajamento para toda a empresa, nem sempre encontra o mesmo cuidado direcionado a si. 

A ausência de políticas claras de apoio, espaços de escuta e limites bem definidos contribui para a sensação de isolamento. Cuidar de quem cuida passa a ser um desafio organizacional, não apenas individual.

Importância dos estudos

Ao trazer dados, estimular conversas e incentivar práticas mais humanas, esse tipo de abordagem ajuda empresas a enxergar o RH não apenas como área de suporte, mas como um time que também precisa de estrutura, autonomia e proteção emocional. 

Como indicado na pesquisa da Flash, ao atuar de forma humanizada nas rotinas, algumas empresas conseguem contribuir para ampliar esse debate dentro das organizações, de forma consciente e responsável.

O impacto na saúde do RH  é um alerta claro de que algo precisa mudar na forma como o trabalho é organizado. Investir em tecnologia para reduzir tarefas repetitivas, distribuir melhor as responsabilidades, fortalecer lideranças empáticas e criar políticas reais de saúde mental são passos fundamentais. 

Ignorar esses sinais significa comprometer não apenas o bem-estar dos profissionais de RH, mas a capacidade da empresa de crescer de forma consistente e sustentável. Ao olhar com mais atenção para quem está na linha de frente da gestão de pessoas, as organizações dão um passo importante rumo a ambientes de trabalho mais equilibrados, humanos e preparados para os desafios do futuro.